quinta-feira, novembro 27, 2008

Esquecer II...

A mesa de cabeceira continuava mesmo ao lado da cama, com a garrafa de água em cima dela, só. Inerte. Vazia.
Deitada, os meus olhos desejavam chorar mas secos estavam como a garrafa de água ao meu lado: sós. Inertes. Vazios e...Secos.
Decidi, dada a garrafa sem água, não pensar em ti.
Decidi defender-me de ti e desse teu puzzle incompleto, como um soldado na frente de batalha desarmado e ferido.
Ás vezes penso mesmo que estou sentada num banco de madeira sem uma perna e que me equilibro nele para não cair, da mesma forma que equilibro as tuas peças do puzzle para não pensar em ti.
Outras vezes, encosto o banco de madeira velha sem perna à parede e deixo-me estar muito quieta, deixo-me estar simples e...sem metamorfose.
Nesses dias, dias de parede branca,... escrevo e: solto as peças de ti no chão como uma criança que as deixa cair só porque está distraída.

3 comentários:

Fábio Teixeira disse...

Olá, meninas!

Mãozinhas disse...

É doloroso quando vemos o nosso puzzle estilhaçado no chão...Mas, por outro lado, também é essa queda, que nos permite reciclar o puzzle, transformá-lo, num processo continuo, que acompanha a nossa evolução..Fico à espera de ver os novos puzzles...

Adorei ler-te!

Anelar

Walter disse...

de longe um dos teus melhores textos