terça-feira, agosto 05, 2008

Sem espartilhos...

Sinto-te nas minhas veias,
injecto-me contigo até à exaustão.
Nas ruas lunáticas que percorro,
já te vislumbro entre os meandros de solidão...

Exaltas-me, fazes-me arder com paixão,
desolas-me de antemão,
enfraqueces-me e enalteces-me,
com essas tuas ideias excêntricas e bizarras.

És tu quem me despe nas noites de escuridão,
desta minha armadura de frieza,
que me protege e embalsama..

Beijas-me com as tuas palavras,
com o verso que não rima,
com o suspiro silenciado pelas tuas estrofes.

Eclipsas os ponteiros do relógio,
libertas-me e prendes-me secretamente,
ao manto de loucura ensolarada..

O incesto cometo ao escrever-te,
pois com paixão carnal te sinto,
mas simultaneamente te concebo,
e de mim nasces tu, ó meu rebento..

A tua realidade enlaça-me,
encaixa-me e trespassa-me.
E se um dia o triste fado me levasse,
talvez fosses tu poesia, o meu destino acarinhado..

6 comentários:

Felisbela disse...

Ao ler percebi logo que era teu e sobre quem...
Tas inspirada, ta mt bonito...
Afinal tb tens uma grande veia poetica...
bjnh

Mãozinhas disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Mãozinhas disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
A. Jorge Oliveira disse...

Se um dia o triste fado te levasse, não seria apenas a poesia o teu destino.

P.S. - Ah e sim... Já o podes dizer a "esta pessoa".

Beijo.

Walter disse...

Há pessoas assim...pessoas avassaladoras que nos matam e nos fazem viver!adorei
bj gd
walter

João Torgal disse...

Incrível a forma como escreveste poesia, sobre a poesia, com uma enorme alma poética. Fabuloso.
Beijinho grande:

João