I wonder where you are.
quinta-feira, março 22, 2018
domingo, janeiro 25, 2015
Ficções da Realidade
A arte de amar não deveria subjugar-se a perguntas. Ou assim muitos
dizem. Alguma coisa entre o acaso e um festim de hormonas melhor explicaria o
sucedido.
Há muito tempo ouvi falar de uma experiência em que um homem e uma mulher heterossexuais foram induzidos a apaixonarem-se em laboratório. A situação consistia em que fizessem perguntas um ao outro, as quais, de acordo com o protocolo, fomentariam a intimidade. Além disso, era-lhes pedido que se olhassem fixamente e em silêncio durante alguns minutos. Passados 6 meses estavam casados.
Há muito tempo ouvi falar de uma experiência em que um homem e uma mulher heterossexuais foram induzidos a apaixonarem-se em laboratório. A situação consistia em que fizessem perguntas um ao outro, as quais, de acordo com o protocolo, fomentariam a intimidade. Além disso, era-lhes pedido que se olhassem fixamente e em silêncio durante alguns minutos. Passados 6 meses estavam casados.
Embora não tenha feito um follow-up da história para saber se tinha o
tão almejado final feliz, recordo-me que na altura, e no rescaldo de um coração
partido, achei que havia esperança. Afinal podia apaixonar-me por quem
quisesse. O último reduto da felicidade.
Confesso, sem vergonha de falar pela jovem dessa altura, que tentei replicar a experiência. Era um colega de faculdade: giro, inteligente, interessante e com aquele ar desajeitado que me provoca insondáveis arrepios pelo corpo todo. Tentei a minha sorte naquele final de tarde. Segui parte do guião, com as perguntas chave que nos tornariam mais próximos, embora estivéssemos já à distância de um beijo. O que tínhamos em comum, o que gostava nele, bla bla bla. Depois lá chegou a parte do olhar silencioso. O verdadeiro terror não foi o que vi nele, mas o que ele podia ver em mim, como se me invadisse até ao fundo da minha alma. Beijamo-nos mais para abandonar aquele momento do que outra coisa. Apaixonamo-nos também . Não pelas perguntas que lhe fiz, mas porque o escolhi para fazer essas mesmas questões. O amor não chegou. Eramos demasiado novos e ávidos para nos aplicar-nos nesta disciplina.
Confesso, sem vergonha de falar pela jovem dessa altura, que tentei replicar a experiência. Era um colega de faculdade: giro, inteligente, interessante e com aquele ar desajeitado que me provoca insondáveis arrepios pelo corpo todo. Tentei a minha sorte naquele final de tarde. Segui parte do guião, com as perguntas chave que nos tornariam mais próximos, embora estivéssemos já à distância de um beijo. O que tínhamos em comum, o que gostava nele, bla bla bla. Depois lá chegou a parte do olhar silencioso. O verdadeiro terror não foi o que vi nele, mas o que ele podia ver em mim, como se me invadisse até ao fundo da minha alma. Beijamo-nos mais para abandonar aquele momento do que outra coisa. Apaixonamo-nos também . Não pelas perguntas que lhe fiz, mas porque o escolhi para fazer essas mesmas questões. O amor não chegou. Eramos demasiado novos e ávidos para nos aplicar-nos nesta disciplina.
Quando me lembro deste episódio, fica a parte boa. Não podemos escolher
quem amamos, mas podemos fazer esse amor durar. Podemos escolher cultivá-lo e
fazê-lo crescer. Como um jardim: colhemos os frutos, cheiramos as flores, e
regozijamo-nos com a paisagem, mas nunca sabemos que flora e fauna por lá
andam. As ervas daninhas aparecem sem hora marcada e nem sempre conseguimos
cultivar o que queremos. Em suma, dá muito trabalho.
Mas quando nos sentamos neste jardim maravilhoso, estamos dispostos a fazer as perguntas. Não as do Dr. Aron, mas as nossas próprias perguntas, aquelas que nos levam para sítios onde muitas vezes temos medo de ir. Que põem à prova a nossa narrativa e a que contamos aos outros.
Depois de as fazermos, sabemos que estamos preparados para que o outro olhe para nós. Queremos ir com ele aos sítios onde pensamos que não queríamos ir. As perguntas anteriormente suspeitas fazem-nos querer ficar vulneráveis.
Mas quando nos sentamos neste jardim maravilhoso, estamos dispostos a fazer as perguntas. Não as do Dr. Aron, mas as nossas próprias perguntas, aquelas que nos levam para sítios onde muitas vezes temos medo de ir. Que põem à prova a nossa narrativa e a que contamos aos outros.
Depois de as fazermos, sabemos que estamos preparados para que o outro olhe para nós. Queremos ir com ele aos sítios onde pensamos que não queríamos ir. As perguntas anteriormente suspeitas fazem-nos querer ficar vulneráveis.
terça-feira, dezembro 02, 2014
Forelsket
Duas histórias assíncronas que se cruzam na luz ténue de fim
de dia.
Ela ajeita nervosamente a cabelo. Sabe de antemão o peso que as cores de outono têm sobre si e não quer causar má impressão. Conhece também de sobejo o que espera encontrar naquela estação: um verão vermelho em forma de romã.
Ele passa disperso na roda-viva do dia. Acha que tudo se compõe quando o frio congelar a razão. Dança sozinho ao recordar-se dos tempos felizes que hão de vir. No olhar cabe a imensidão do horizonte e no gesto leva uma ternura que se revela na perfeição com que pousa a mochila na casa onde quer ficar.
Descobrem-se na livraria que cruza a esquina. Naquela onde os livros são vidas, e as vidas não passam de histórias por contar. Ao longe, palavras novas cruzam-se em continentes frios. Golfadas de vento aproximam-nos num espaço etéreo. Tocam-se na frieza incólume de um icebergue e com uma destreza extemporânea sabem que querem ficar ali.
Ela ajeita nervosamente a cabelo. Sabe de antemão o peso que as cores de outono têm sobre si e não quer causar má impressão. Conhece também de sobejo o que espera encontrar naquela estação: um verão vermelho em forma de romã.
Ele passa disperso na roda-viva do dia. Acha que tudo se compõe quando o frio congelar a razão. Dança sozinho ao recordar-se dos tempos felizes que hão de vir. No olhar cabe a imensidão do horizonte e no gesto leva uma ternura que se revela na perfeição com que pousa a mochila na casa onde quer ficar.
Descobrem-se na livraria que cruza a esquina. Naquela onde os livros são vidas, e as vidas não passam de histórias por contar. Ao longe, palavras novas cruzam-se em continentes frios. Golfadas de vento aproximam-nos num espaço etéreo. Tocam-se na frieza incólume de um icebergue e com uma destreza extemporânea sabem que querem ficar ali.
segunda-feira, novembro 10, 2014
Breakup songs
Encostada à soleira da porta, a sua decisão dependia do índice de pluviosidade.
Quando parou de chover, quis ficar em casa. O sol brilhava mais ali.
6. Scott Walker | If you go away
5.Porta dos fundos | Essa é pra você
4. The Beatles | You´re gonna lose that girl
3. Françoise Hardy | Comment te dire adieu?
2. The Magnetic Fields | All my little words
1. Jeff Buckley | Lover, you´ve should come over
Quando parou de chover, quis ficar em casa. O sol brilhava mais ali.
6. Scott Walker | If you go away
5.Porta dos fundos | Essa é pra você
4. The Beatles | You´re gonna lose that girl
3. Françoise Hardy | Comment te dire adieu?
2. The Magnetic Fields | All my little words
1. Jeff Buckley | Lover, you´ve should come over
quarta-feira, setembro 03, 2014
Férias 2014
segunda-feira, junho 30, 2014
terça-feira, maio 13, 2014
segunda-feira, maio 12, 2014
Esqueci-te
Haverá o dia em que não estarei mais presente. Esqueci-te. Não serás para mim mais que um fragmento da minha vida.
Um fragmento que não foste capaz de preservar, um fragmento que amarrotaste e atiraste para o lixo. E talvez nesse teu momento de fraqueza em que olhas e não vês, ouves mas não escutas entendas o que não quiseste amar.
Vais sentir saudades das palavras lindas, mas os meus lábios estarão selados, não pelo ódio, não pela raiva, mas pelos lábios daquela que virá a seguir a ti.
Um fragmento que não foste capaz de preservar, um fragmento que amarrotaste e atiraste para o lixo. E talvez nesse teu momento de fraqueza em que olhas e não vês, ouves mas não escutas entendas o que não quiseste amar.
Vais sentir saudades das palavras lindas, mas os meus lábios estarão selados, não pelo ódio, não pela raiva, mas pelos lábios daquela que virá a seguir a ti.
André Rebelo
quarta-feira, março 26, 2014
Entorpecimento
Calcorrear ruas em levamentos de calçada,
lamentos de um trajeto que já não o é.
Num pranto calado envolvo-o em memoriais
de exíguos vazios que mais não fazem que
toldar a razão, aqui e agora.
Palavras doces que embalsamo,
Para não nos esquecer.
Não me esquecer.
O chão destroça-se em pedaços de algodão
prontos a voar quando terminarem
as palavras brandas enfrascadas.
Moleza do ser não combina
com este caminho, nu de pavimento.
De terra batida, descalço, entregue a si próprio.
Cadinhos de imperfeição
quando o vocábulo se solta.
Quero ir com ele, com colarinhos das amarras que me prendem a ti.
[Ou o que ainda há por fazer.]
lamentos de um trajeto que já não o é.
Num pranto calado envolvo-o em memoriais
de exíguos vazios que mais não fazem que
toldar a razão, aqui e agora.
Palavras doces que embalsamo,
Para não nos esquecer.
Não me esquecer.
O chão destroça-se em pedaços de algodão
prontos a voar quando terminarem
as palavras brandas enfrascadas.
Moleza do ser não combina
com este caminho, nu de pavimento.
De terra batida, descalço, entregue a si próprio.
Cadinhos de imperfeição
quando o vocábulo se solta.
Quero ir com ele, com colarinhos das amarras que me prendem a ti.
[Ou o que ainda há por fazer.]
domingo, março 02, 2014
A Misantropia Tem Hora Marcada
Um suspiro de alívio, não demasiado fugaz, escapa-se assim que entra em casa. Tateia os objetos com uma familiaridade impossível lá fora.
Roda a saia quando é preciso, face às agruras que a picam no cinzento das horas em corrupio. Mas em casa - seja ela onde, como e em quem for - gosta de a despir. É prazenteiro sentir o rosto da sua própria pele e envolver-se no seu aroma, e, enfim, encontrar-se novamente: panorâmica de um processo sempre inacabado.
Em desilusões de relações desejosas de falhar, reenquadra a esperança num porvir autêntico. E no lastro fresco deste sentimento, satisfaz todos os músculos do seu corpo, dilacerando-se em evasões de tensão. Esvazia a mente. Limpa o coração.
Da janela, observa o gotejar de mais uma noite. Mergulha em si e volta à tona para respirar. Afinal, amanhã é um novo dia.
Roda a saia quando é preciso, face às agruras que a picam no cinzento das horas em corrupio. Mas em casa - seja ela onde, como e em quem for - gosta de a despir. É prazenteiro sentir o rosto da sua própria pele e envolver-se no seu aroma, e, enfim, encontrar-se novamente: panorâmica de um processo sempre inacabado.
Em desilusões de relações desejosas de falhar, reenquadra a esperança num porvir autêntico. E no lastro fresco deste sentimento, satisfaz todos os músculos do seu corpo, dilacerando-se em evasões de tensão. Esvazia a mente. Limpa o coração.
Da janela, observa o gotejar de mais uma noite. Mergulha em si e volta à tona para respirar. Afinal, amanhã é um novo dia.
segunda-feira, fevereiro 03, 2014
terça-feira, dezembro 24, 2013
domingo, dezembro 08, 2013
A morte não tem poesia.
Muitas vezes pensava no
dia da sua morte.
Imaginava-se a conduzir numa
estrada sem carros, acompanhada pelas vozes de uma rádio regional, numa dessas
noites insignificantes pela ausência de lua.
Um rato passa à frente do
carro, olhos fechados, pé no travão, guinada para esquerda.
PUM!
Sem direito a lua nem a
airbag.
O Rádio, o único vivo da
história, tosse, no frio e no silêncio que toda a morte merece, o Hit Me Baby One More Time da Britney Spears.
sábado, dezembro 07, 2013
terça-feira, outubro 29, 2013
sexta-feira, outubro 11, 2013
terça-feira, outubro 08, 2013
quarta-feira, outubro 02, 2013
quinta-feira, setembro 26, 2013
terça-feira, setembro 10, 2013
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