terça-feira, dezembro 24, 2013
domingo, dezembro 08, 2013
A morte não tem poesia.
Muitas vezes pensava no
dia da sua morte.
Imaginava-se a conduzir numa
estrada sem carros, acompanhada pelas vozes de uma rádio regional, numa dessas
noites insignificantes pela ausência de lua.
Um rato passa à frente do
carro, olhos fechados, pé no travão, guinada para esquerda.
PUM!
Sem direito a lua nem a
airbag.
O Rádio, o único vivo da
história, tosse, no frio e no silêncio que toda a morte merece, o Hit Me Baby One More Time da Britney Spears.
sábado, dezembro 07, 2013
terça-feira, outubro 29, 2013
sexta-feira, outubro 11, 2013
terça-feira, outubro 08, 2013
quarta-feira, outubro 02, 2013
quinta-feira, setembro 26, 2013
terça-feira, setembro 10, 2013
segunda-feira, agosto 26, 2013
Férias 2013
segunda-feira, maio 06, 2013
O Frade vê o peregrino
Ao longe, o cantar de um grilo ritmava os movimentos do peregrino contra um corpo nu.
Gri, gri, gri, grigrigri...
O som dos dois corpos, um contra o outro e contra o chão, crescia num tom cada vez mais nítido e intenso até se escutar tão perto como se viesse de dentro.
- Isso magoa - diz a mulher.
- Vais ver que passa rápido - responde o peregrino, sem perder o compasso.
O grilo emudece num GRI(to) de prazer e o peregrino, suado, aperta as calças, levantando-se.
As pernas tísicas da mulher tremiam soltas na pedra como um esqueleto separado em articulações:
Santa Luzia Milagrosa, é a sua filha!
Gri, gri, gri, grigrigri...
O som dos dois corpos, um contra o outro e contra o chão, crescia num tom cada vez mais nítido e intenso até se escutar tão perto como se viesse de dentro.
- Isso magoa - diz a mulher.
- Vais ver que passa rápido - responde o peregrino, sem perder o compasso.
O grilo emudece num GRI(to) de prazer e o peregrino, suado, aperta as calças, levantando-se.
As pernas tísicas da mulher tremiam soltas na pedra como um esqueleto separado em articulações:
Santa Luzia Milagrosa, é a sua filha!
quarta-feira, janeiro 02, 2013
quarta-feira, dezembro 05, 2012
O quarto de um solteiro
O quarto de um solteiro raramente tem as persianas da janela
totalmente abertas. Entram vagos raios de luz, iluminando fulgurantemente os
restos de comida que , por comodidade e desleixo afectivo, ficaram espalhados
pelos móveis.
A cama, quase sempre desfeita, denuncia uma solidão que
corresponde à desarrumação somente de um dos lados da cama. A solidão ganha
género, sobretudo o feminino, se junto ao travesseiro encontramos um pacotinho
de lenços, ao qual é endereçada aquela monótona desculpa “Estou
constipada”. Esta constipação nunca passa. Seja Verão, seja Inverno, esta
constipação é alimentada por um vírus que se aloja num coração partido.
Enquanto persistir o seu habitat, este dissemina-se, e os lenços usados acumulam-se
ao lado da cama, como pequenas compressas que tentam estancar a tristeza
destilada daquele coração desgraçadamente ferido.
No quarto de um solteiro solitário, a roupa amontoada na
cadeira, ganha forma, e, enfim, vida. Constitui já o amigo imaginário, o
companheiro das horas vagas, que são as menos possíveis, visto que um solteiro
evita o seu quarto, como quem foge do espelho.
Os livros estão dispostos casualmente e de forma corrida,
pelo quarto em geral. A separa-los encontram-se pequenos pedaços de comida,
restos de jantares solitários acompanhados de um qualquer ecrã. Estas obras,
folhetins ou revistas, para além da roupa suja, são os verdadeiros camaradas do
solitário solteiro. Enquanto se deita no seu catre, despojado de amor e
carinho, mas repleto de um conforto com travo de azedume, pode deleitar-se com
a vivência de novos mundos que não o seu. O leitor pensará que assim o é em
todas as idades e condições para todos aqueles que gostam de mergulhar num bom
livro. Mas no caso do solteiro, a situação toma contornos especiais.
Salvo algumas felizes exceções, o solteiro não quer viver a
situação atual, e, simultaneamente, não sair da zona de conforto, visto que as
mazelas sentimentais costumeiras teimam em não fechar. Assim sendo, viver um
romance arrebatador, ainda que trágico, ali mesmo deitado na sua cama,
constitui o último reduto de felicidade que um pode ter. É por isto, que os
quartos dos solteiros interessantes podem constituir mini bibliotecas.
Não devemos esquecer aquela célebre citação “If you go home
with somebody, and they don´t have books, don´t fuck´em!”, que sub-repticiamente
confere alguma sensualidade aos nossos solteiros, e uma resignada esperança na
promessa de amor real que um livro traz.
No dormitório de um solteiro é comum encontrar notas,
bilhetes, presentes, pastilhas mastigadas, qualquer coisa que revele os seus
antigos amores, e os recorda que afinal um dia foram amados, tema que agora
constitui unicamente um terreno árido, e, ao mesmo tempo, pantanoso.
O estado do quarto de um solteiro só muda quando, em noites
pontuais, alguém interessado e interessante passa por lá. De fé
renovada, lá se arruma todo o espaço, lá se escondem todos os vestígios de uma
baixa auto estima, e de recordações do passado que possam comprometer a
continuidade da aventura do presente.
A noite acaba. A companhia sai, e a desilusão do telefonema
não recebido no dia seguinte atrai todas as características primordiais do
quarto. É tempo de fechar totalmente a janela. Faz frio lá fora.
segunda-feira, dezembro 03, 2012
sábado, agosto 18, 2012
História do Bailote
Existem dias em que a terra parece mais árida, mesmo aquela que antes foi um palco de campos verdejantes.
O homem que por ali vivia, nunca havia visto nada assim. Pensava: "Esta casa, que me abrigou e alimentou, definha, aqui mesmo nas minhas mãos. Não há peste a ser combatida, nem intempérie sanada pela esperança. Existe, só e apenas, um sólido e aterrador deserto. Estou morto."
terça-feira, julho 31, 2012
O Meu Calendário da Semana
31/07/2012 - terça-feira:
Cinema - "As flores da Guerra"
01/08/2012 - quarta-feira:
Música - "Kim Gordan e Ikue Mori"
02/08/2012 - quinta-feira:
Teatro - "O Acidente"
*http://www.guimaraes2012.pt
:)
sexta-feira, junho 08, 2012
Sem nós (mulheres) o futuro do cromossoma coxo está comprometido...
"As coisas tornaram-se mais difíceis para os homens quando descobriram que eu (ADN - posterior ser), para viver, também preciso de mitocôndrias. Isso já se sabia, mas o que não se sabia é que as mitocôndrias são um ser distinto daquele que eu formo, com os seus próprios genes e uma reprodução diferente. São uma espécie de parasita assexuado mas, um parasita necessário que se infiltra nas células que eu formo e vive em simbiose com elas.
Agora, aqui vai a má notícia para os homens: quem transmite as mitocôndrias é, em exclusivo, o corpo da mulher. Elas infiltram-se nos óvulos e é apenas deste que transitam para o novo ser e para todas as células.
Este pormenor foi muito útil aos investigadores para tentarem descobrir quem são e de onde vieram as ancestrais progenitoras humanas. Mas também se ficou a saber que só elas, e nunca os homens, poderão dar origem, por si sós, a um corpo com a capacidade de sobreviver.
Ou seja: quando os jogos sexuais forem definitivamente proibidos e não restar senão a clonagem para a sobrevivência da espécie, só as mulheres poderão deixar descendentes. Um clone masculino, por si só, para além de necessitar de um útero para gerar um novo corpo também necessita das mitocôndrias que estão no óvulo feminino.
Ninguém sabe por que foi que este parasita assexuado escolheu a via matrilinear para se reproduzir. E o mais engraçado é que as mitocôndrias são a máquina energética de todas as células e de todos os corpos. Pois bem: a fonte de energia dos homens vem exclusivamente das suas mães. Isso já se adivinhava, mas a história das mitocôndrias, preto no branco, foi mais uma machadada para o futuro do cromossoma coxo. A breve prazo o XY pode bem ser descartável."
(in J.L. Pio Abreu.(2007) Quem nos faz como somos)
terça-feira, março 27, 2012
sexta-feira, agosto 05, 2011
#12 Lying around
"Don't try to use me or slyly refuse me,
just win me or lose me,
it is this that the darkness is for"
just win me or lose me,
it is this that the darkness is for"
quinta-feira, julho 21, 2011
Rider
Despertou vulcões e empenhou os seus bem mais preciosos quando jurou vencer todas as tempestades. Aves de rapina cruzavam os céus involucrado em nuvens e os seus pés, já calvos, teimavam em caminhar.
A boca estalava de sede e o coração latejava como se fosse o seu último suspiro. Abissais colinas despenhavam-se num oásis azul, fruto de sonhos invertidos em miragens.
Era uma caminhada lenta e dura, e, embora houvesse um destino, não havia o trajecto. Poucos eram os apeadeiros onde podia repousar e restabelecer, ainda que levemente, o seu espírito obstinado.
O desassossego instalava-se na medida de uma rebelião. Seguia a paisagem com a vivacidade de olhar que lhe era característica, mas a espera de encontrar o que procurava tornava todas as cores mais pálidas.
Sobre si caía o signo do querer, insaciável e impedioso. E seria com ele, despojada de qualquer bem supérfluo, que havia de cair nas graças do inusitado tempo, que tardava em chegar. O seu tempo.
A boca estalava de sede e o coração latejava como se fosse o seu último suspiro. Abissais colinas despenhavam-se num oásis azul, fruto de sonhos invertidos em miragens.
Era uma caminhada lenta e dura, e, embora houvesse um destino, não havia o trajecto. Poucos eram os apeadeiros onde podia repousar e restabelecer, ainda que levemente, o seu espírito obstinado.
O desassossego instalava-se na medida de uma rebelião. Seguia a paisagem com a vivacidade de olhar que lhe era característica, mas a espera de encontrar o que procurava tornava todas as cores mais pálidas.
Sobre si caía o signo do querer, insaciável e impedioso. E seria com ele, despojada de qualquer bem supérfluo, que havia de cair nas graças do inusitado tempo, que tardava em chegar. O seu tempo.
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