terça-feira, março 27, 2012
sexta-feira, agosto 05, 2011
#12 Lying around
"Don't try to use me or slyly refuse me,
just win me or lose me,
it is this that the darkness is for"
just win me or lose me,
it is this that the darkness is for"
quinta-feira, julho 21, 2011
Rider
Despertou vulcões e empenhou os seus bem mais preciosos quando jurou vencer todas as tempestades. Aves de rapina cruzavam os céus involucrado em nuvens e os seus pés, já calvos, teimavam em caminhar.
A boca estalava de sede e o coração latejava como se fosse o seu último suspiro. Abissais colinas despenhavam-se num oásis azul, fruto de sonhos invertidos em miragens.
Era uma caminhada lenta e dura, e, embora houvesse um destino, não havia o trajecto. Poucos eram os apeadeiros onde podia repousar e restabelecer, ainda que levemente, o seu espírito obstinado.
O desassossego instalava-se na medida de uma rebelião. Seguia a paisagem com a vivacidade de olhar que lhe era característica, mas a espera de encontrar o que procurava tornava todas as cores mais pálidas.
Sobre si caía o signo do querer, insaciável e impedioso. E seria com ele, despojada de qualquer bem supérfluo, que havia de cair nas graças do inusitado tempo, que tardava em chegar. O seu tempo.
A boca estalava de sede e o coração latejava como se fosse o seu último suspiro. Abissais colinas despenhavam-se num oásis azul, fruto de sonhos invertidos em miragens.
Era uma caminhada lenta e dura, e, embora houvesse um destino, não havia o trajecto. Poucos eram os apeadeiros onde podia repousar e restabelecer, ainda que levemente, o seu espírito obstinado.
O desassossego instalava-se na medida de uma rebelião. Seguia a paisagem com a vivacidade de olhar que lhe era característica, mas a espera de encontrar o que procurava tornava todas as cores mais pálidas.
Sobre si caía o signo do querer, insaciável e impedioso. E seria com ele, despojada de qualquer bem supérfluo, que havia de cair nas graças do inusitado tempo, que tardava em chegar. O seu tempo.
quarta-feira, julho 06, 2011
Nuances tragico-cómicas desta vida
Sentia uma dormência que já lhe era familiar. Conhecia aquele nó na barriga, que se formava como prelúdio de uma sessão de choro convulsivo, à prova de qualquer pensamento positivo, que ficava imediatamente proibido de entrar.
Já devia domar aqueles impetuosos sentimentos que a moviam. Sim, eram as paixões a sua força motriz. Não se negava a ceder ou fazer qualquer coisa em nome desse sentimento, que já, por muitas vezes, havia revelado que se esfumava rapidamente. Como plano B, ficava à espera que o amor chegasse. No fundo, no fundo eram racionalizações, daquele tipo que se ouvem muito “a paixão não dura para sempre, mas o amor sim” ou “o amor é um sentimento mais maduro, fruto da evolução da relação” ou ainda “esta é uma má fase que vai passar”.
Quando efectivamente os dias passavam e ela os começava a contar, como se tivesse encerrada numa prisão, aí sim, percebia que algo estava mal, muito mal. Nessas alturas, ficava apavorada e negava a si mesma que ia perder este laço, mas uma ubiquidade de sentimentos, lá começava, de forma muito tímida, a fazer o luto daquilo que tinha sido uma esplendorosa expectativa de uma relação bem sucedida.
Já não conseguia manejar os sintomas físicos, perfeitamente visíveis e a prova concreta de que havia um problema. Náuseas, problemas respiratórios, dores no peito apetrechavam o festim com a que a ansiedade a presenteava.
Para além de tudo isto, a sua neurose, que se insuflava quase até explodir, dava lugar a um certo “chicotear mental” secundário. Ora bem, quando já estava perfeitamente triste e desiludida, mimoseava-se com pensamentos como “Que estupidez dar tanta a importância a isto. Sou uma gaja perfeitamente estúpida e ridícula com estas lamechices, quando podia aproveitar para começar já a fazer o scouting do mercado masculino.” Não é necessário dizer que isto não a ajudava, e era produto daqueles óculos escuros e pequeninos que havia colocado. Em tempos quis ser tão grandiosa como a Janis Joplin, mas esqueceu-se que isso tinha consequências, e, sobretudo, que não podem existir duas Janis Joplin.
Acabava esta telenovela sempre com aquele pensamento/frase cliché “o amor não é p´ra mim”.
Na verdade, ela só queria mesmo passar a vida numa cabana, à beira mar, a beber mojitos. Mas isto dos amores e desamores trocava-lhe as voltas, e acabava sempre numa tasca abafada, a beber aguardente.
Moral da história?
Não há.
Já devia domar aqueles impetuosos sentimentos que a moviam. Sim, eram as paixões a sua força motriz. Não se negava a ceder ou fazer qualquer coisa em nome desse sentimento, que já, por muitas vezes, havia revelado que se esfumava rapidamente. Como plano B, ficava à espera que o amor chegasse. No fundo, no fundo eram racionalizações, daquele tipo que se ouvem muito “a paixão não dura para sempre, mas o amor sim” ou “o amor é um sentimento mais maduro, fruto da evolução da relação” ou ainda “esta é uma má fase que vai passar”.
Quando efectivamente os dias passavam e ela os começava a contar, como se tivesse encerrada numa prisão, aí sim, percebia que algo estava mal, muito mal. Nessas alturas, ficava apavorada e negava a si mesma que ia perder este laço, mas uma ubiquidade de sentimentos, lá começava, de forma muito tímida, a fazer o luto daquilo que tinha sido uma esplendorosa expectativa de uma relação bem sucedida.
Já não conseguia manejar os sintomas físicos, perfeitamente visíveis e a prova concreta de que havia um problema. Náuseas, problemas respiratórios, dores no peito apetrechavam o festim com a que a ansiedade a presenteava.
Para além de tudo isto, a sua neurose, que se insuflava quase até explodir, dava lugar a um certo “chicotear mental” secundário. Ora bem, quando já estava perfeitamente triste e desiludida, mimoseava-se com pensamentos como “Que estupidez dar tanta a importância a isto. Sou uma gaja perfeitamente estúpida e ridícula com estas lamechices, quando podia aproveitar para começar já a fazer o scouting do mercado masculino.” Não é necessário dizer que isto não a ajudava, e era produto daqueles óculos escuros e pequeninos que havia colocado. Em tempos quis ser tão grandiosa como a Janis Joplin, mas esqueceu-se que isso tinha consequências, e, sobretudo, que não podem existir duas Janis Joplin.
Acabava esta telenovela sempre com aquele pensamento/frase cliché “o amor não é p´ra mim”.
Na verdade, ela só queria mesmo passar a vida numa cabana, à beira mar, a beber mojitos. Mas isto dos amores e desamores trocava-lhe as voltas, e acabava sempre numa tasca abafada, a beber aguardente.
Moral da história?
Não há.
sábado, abril 02, 2011
quarta-feira, dezembro 15, 2010
z O O m
Encontram-se pessoas e episódios fantásticos no nosso percurso diário. Basta estar atento.
Hoje,dei por mim a despertar do meu automatismo habitual, a caminho do trabalho. O culpado foi um senhor, um tanto extravagante ou caricato(como preferirem), que envergava um rádio na sua bicicleta. Este rádio estava sintonizado na TSF, e emitia isto:
Digo-vos, foi o melhor momento do meu dia.
Hoje,dei por mim a despertar do meu automatismo habitual, a caminho do trabalho. O culpado foi um senhor, um tanto extravagante ou caricato(como preferirem), que envergava um rádio na sua bicicleta. Este rádio estava sintonizado na TSF, e emitia isto:
Digo-vos, foi o melhor momento do meu dia.
domingo, dezembro 05, 2010
Como gosto dela, numa tarde de Domingo
A lassidão é melhor arma contra a luz do dia. Primeiro acumula-se na loiça suja e depois acaba por traduzir-se em números, na medida das horas em que se fica rebolar na cama. Invade os horários, metodicamente estabelecidos no dia anterior, no desespero de organizar o vazio que percorre os dias em fileira. Entreabre-se no guarda-roupa apinhado de roupa por arrumar e desce as escadas com o lixo que alguém se foi esquecendo de levar.
A preguiça…torna-se facilmente num bichinho de estimação: alimenta-se, cuida-se e apelida-se carinhosamente com o nosso nome próprio. Enrosca-se entre as nossas pernas, rumo à alma.
Manifesta-se num colectivo individual, entre todos os que de manhã apanham o transporte público, carregando uma mala, de 100kg em cada braço, de preguiça a florescer. No final do dia, voltam a casa já com autênticos jardins botânicos, repletos de plantas carnívoras que lhe comem todo o corpo, razão de desabafos “triste vida a minha”, “nunca mais é 6ªf”, que todos em coro poderiam originar qualquer fado amargurado.
Dizem por aí que a mais perigosa das preguiças é aquela que é bem aconchegada por uma boa refeição, e desprovida de qualquer esboço de preocupações. Ora assim está criado o contexto para que se anulem todas as forças motrizes que impulsionam um qualquer a dedicar-se a causas mais nobres, das quais não faz parte a nossa preguiça. A preguiça é vil e sabe bem. Surge a dúvida se estas características têm alguma relação causal, mas não é isso que importa, e com certeza muito menos à detentora das mesmas, a nossa lânguida e confortável preguiça.
A preguiça…torna-se facilmente num bichinho de estimação: alimenta-se, cuida-se e apelida-se carinhosamente com o nosso nome próprio. Enrosca-se entre as nossas pernas, rumo à alma.
Manifesta-se num colectivo individual, entre todos os que de manhã apanham o transporte público, carregando uma mala, de 100kg em cada braço, de preguiça a florescer. No final do dia, voltam a casa já com autênticos jardins botânicos, repletos de plantas carnívoras que lhe comem todo o corpo, razão de desabafos “triste vida a minha”, “nunca mais é 6ªf”, que todos em coro poderiam originar qualquer fado amargurado.
Dizem por aí que a mais perigosa das preguiças é aquela que é bem aconchegada por uma boa refeição, e desprovida de qualquer esboço de preocupações. Ora assim está criado o contexto para que se anulem todas as forças motrizes que impulsionam um qualquer a dedicar-se a causas mais nobres, das quais não faz parte a nossa preguiça. A preguiça é vil e sabe bem. Surge a dúvida se estas características têm alguma relação causal, mas não é isso que importa, e com certeza muito menos à detentora das mesmas, a nossa lânguida e confortável preguiça.
segunda-feira, novembro 08, 2010
domingo, outubro 10, 2010
terça-feira, outubro 05, 2010
Os Viajantes e o Urso
Um dia dois viajantes deram de cara com um urso...
O primeiro salvou-se escalando uma árvore, mas o outro, sabendo que não ia conseguir vencer sozinho o urso, deitou-se no chão e fingiu-se de morto.
O urso aproximou-me dele e começou a cheirar a sua orelha. Mas, convencido de que estava morto, foi embora.
O amigo começou a descer da árvore e perguntou:
- O que é que o urso estava a sussurrar no teu ouvido?
- Ora, ele só me disse para pensar duas vezes antes de sair por aí com pessoas que abandonam os amigos na hora do perigo.
O primeiro salvou-se escalando uma árvore, mas o outro, sabendo que não ia conseguir vencer sozinho o urso, deitou-se no chão e fingiu-se de morto.
O urso aproximou-me dele e começou a cheirar a sua orelha. Mas, convencido de que estava morto, foi embora.
O amigo começou a descer da árvore e perguntou:
- O que é que o urso estava a sussurrar no teu ouvido?
- Ora, ele só me disse para pensar duas vezes antes de sair por aí com pessoas que abandonam os amigos na hora do perigo.
segunda-feira, agosto 30, 2010
Fábulas
Eram duas da manhã e rebolavam naquele quarto escuro, à procura dos corpos que não conseguiam encontrar. Haviam prometido um ao outro amar-se para toda a eternidade, mas a eternidade é um pedaço de nada, e como tal um vazio que sempre o será.
O desejo de encontrar um amor genuíno e incorruptível era o mais importante, mais ainda do que o outro era na verdade, do que tinha este para oferecer. O pacto comum com o sentimento imortal era, de facto, o que interessava naquele momento.
Foi por isso que, embora deitados na mesma cama, não conseguiam tocar-se no rosto dos lençóis, que cegavam a cada suspiro. Antes de chegarem a esta intermitência, havia sido já percorrido um longo caminho, o qual atravessaram sem sequer se aperceberem, de tão ofuscados que estavam com promessas avulsas de amor eterno.
No culminar de cada relação falhada, cada um deles havia prometido a si próprio que haveria de ser feliz, mas…feliz de uma felicidade imaculada, que reparasse todos os danos anteriores e todos os que ainda viriam.
Quando se encontraram, gerou-se um cadinho de perfeição. Amar-se-iam até que a noite deixasse de o ser, e se transformasse em aurora para sempre. Amar-se-iam até que transformassem o outro no seu continente, no seu lar. Amar-se-iam até se perderem no brilho do olhar emanado pelo verdadeiro coração apaixonado.
Mas o tempo deixou de ser tempo, e o espaço transfigurou-se por casualidades e desajustes. Deixaram-se enrolar pela maré de acontecimentos, e não construíram um dique suficientemente forte para contê-la. A promessa de amor eterno assegurava, pensavam eles, que nunca deixariam de se amar, independentemente de todos os esquecimentos, todas as inconsciência e descuidos, intransigências ou distâncias que os pudessem apartar.
Enganaram-se. A promessa de amor eterno não chega. Não é uma varinha mágica que congela corações, e que os faz deixar de sentir qualquer tipo de raiva ou tristeza. E certamente não é antídoto para aquilo que se vai esquecendo de mudar, ou não se quer mudar com o pretexto do esquecimento.
É por isto que, quase uma hora depois, ambos adormeceram, ainda sem se encontrar.
O desejo de encontrar um amor genuíno e incorruptível era o mais importante, mais ainda do que o outro era na verdade, do que tinha este para oferecer. O pacto comum com o sentimento imortal era, de facto, o que interessava naquele momento.
Foi por isso que, embora deitados na mesma cama, não conseguiam tocar-se no rosto dos lençóis, que cegavam a cada suspiro. Antes de chegarem a esta intermitência, havia sido já percorrido um longo caminho, o qual atravessaram sem sequer se aperceberem, de tão ofuscados que estavam com promessas avulsas de amor eterno.
No culminar de cada relação falhada, cada um deles havia prometido a si próprio que haveria de ser feliz, mas…feliz de uma felicidade imaculada, que reparasse todos os danos anteriores e todos os que ainda viriam.
Quando se encontraram, gerou-se um cadinho de perfeição. Amar-se-iam até que a noite deixasse de o ser, e se transformasse em aurora para sempre. Amar-se-iam até que transformassem o outro no seu continente, no seu lar. Amar-se-iam até se perderem no brilho do olhar emanado pelo verdadeiro coração apaixonado.
Mas o tempo deixou de ser tempo, e o espaço transfigurou-se por casualidades e desajustes. Deixaram-se enrolar pela maré de acontecimentos, e não construíram um dique suficientemente forte para contê-la. A promessa de amor eterno assegurava, pensavam eles, que nunca deixariam de se amar, independentemente de todos os esquecimentos, todas as inconsciência e descuidos, intransigências ou distâncias que os pudessem apartar.
Enganaram-se. A promessa de amor eterno não chega. Não é uma varinha mágica que congela corações, e que os faz deixar de sentir qualquer tipo de raiva ou tristeza. E certamente não é antídoto para aquilo que se vai esquecendo de mudar, ou não se quer mudar com o pretexto do esquecimento.
É por isto que, quase uma hora depois, ambos adormeceram, ainda sem se encontrar.
domingo, agosto 15, 2010
domingo, julho 04, 2010
sábado, junho 12, 2010
segunda-feira, junho 07, 2010
clic: say cheese!

Saiu de casa apressada.
Não confirmou se tinha as chaves na carteira - gesto neurótico que lhe dá segurança nos passos do dia-a-dia.
A felicidade também não lhe passava pela segurança. Só quando implicava os momentos que incluíam "a sua cabeça no peito de um homem" - um qualquer que gostasse nessa noite.
*pic by Luis
quinta-feira, maio 27, 2010
#11 Lying around
I thought you were the sweetest kill
Did i even know?
And all the time we thought we did
Was it just for show?
Did i even know?
And all the time we thought we did
Was it just for show?
terça-feira, maio 18, 2010
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