quarta-feira, dezembro 15, 2010

z O O m

Encontram-se pessoas e episódios fantásticos no nosso percurso diário. Basta estar atento.
Hoje,dei por mim a despertar do meu automatismo habitual, a caminho do trabalho. O culpado foi um senhor, um tanto extravagante ou caricato(como preferirem), que envergava um rádio na sua bicicleta. Este rádio estava sintonizado na TSF, e emitia isto:



Digo-vos, foi o melhor momento do meu dia.

domingo, dezembro 05, 2010

Como gosto dela, numa tarde de Domingo

A lassidão é melhor arma contra a luz do dia. Primeiro acumula-se na loiça suja e depois acaba por traduzir-se em números, na medida das horas em que se fica rebolar na cama. Invade os horários, metodicamente estabelecidos no dia anterior, no desespero de organizar o vazio que percorre os dias em fileira. Entreabre-se no guarda-roupa apinhado de roupa por arrumar e desce as escadas com o lixo que alguém se foi esquecendo de levar.
A preguiça…torna-se facilmente num bichinho de estimação: alimenta-se, cuida-se e apelida-se carinhosamente com o nosso nome próprio. Enrosca-se entre as nossas pernas, rumo à alma.
Manifesta-se num colectivo individual, entre todos os que de manhã apanham o transporte público, carregando uma mala, de 100kg em cada braço, de preguiça a florescer. No final do dia, voltam a casa já com autênticos jardins botânicos, repletos de plantas carnívoras que lhe comem todo o corpo, razão de desabafos “triste vida a minha”, “nunca mais é 6ªf”, que todos em coro poderiam originar qualquer fado amargurado.
Dizem por aí que a mais perigosa das preguiças é aquela que é bem aconchegada por uma boa refeição, e desprovida de qualquer esboço de preocupações. Ora assim está criado o contexto para que se anulem todas as forças motrizes que impulsionam um qualquer a dedicar-se a causas mais nobres, das quais não faz parte a nossa preguiça. A preguiça é vil e sabe bem. Surge a dúvida se estas características têm alguma relação causal, mas não é isso que importa, e com certeza muito menos à detentora das mesmas, a nossa lânguida e confortável preguiça.

terça-feira, outubro 05, 2010

Os Viajantes e o Urso

Um dia dois viajantes deram de cara com um urso...
O primeiro salvou-se escalando uma árvore, mas o outro, sabendo que não ia conseguir vencer sozinho o urso, deitou-se no chão e fingiu-se de morto.
O urso aproximou-me dele e começou a cheirar a sua orelha. Mas, convencido de que estava morto, foi embora.
O amigo começou a descer da árvore e perguntou:
- O que é que o urso estava a sussurrar no teu ouvido?
- Ora, ele só me disse para pensar duas vezes antes de sair por aí com pessoas que abandonam os amigos na hora do perigo.

segunda-feira, agosto 30, 2010

Fábulas

Eram duas da manhã e rebolavam naquele quarto escuro, à procura dos corpos que não conseguiam encontrar. Haviam prometido um ao outro amar-se para toda a eternidade, mas a eternidade é um pedaço de nada, e como tal um vazio que sempre o será.

O desejo de encontrar um amor genuíno e incorruptível era o mais importante, mais ainda do que o outro era na verdade, do que tinha este para oferecer. O pacto comum com o sentimento imortal era, de facto, o que interessava naquele momento.

Foi por isso que, embora deitados na mesma cama, não conseguiam tocar-se no rosto dos lençóis, que cegavam a cada suspiro. Antes de chegarem a esta intermitência, havia sido já percorrido um longo caminho, o qual atravessaram sem sequer se aperceberem, de tão ofuscados que estavam com promessas avulsas de amor eterno.

No culminar de cada relação falhada, cada um deles havia prometido a si próprio que haveria de ser feliz, mas…feliz de uma felicidade imaculada, que reparasse todos os danos anteriores e todos os que ainda viriam.

Quando se encontraram, gerou-se um cadinho de perfeição. Amar-se-iam até que a noite deixasse de o ser, e se transformasse em aurora para sempre. Amar-se-iam até que transformassem o outro no seu continente, no seu lar. Amar-se-iam até se perderem no brilho do olhar emanado pelo verdadeiro coração apaixonado.

Mas o tempo deixou de ser tempo, e o espaço transfigurou-se por casualidades e desajustes. Deixaram-se enrolar pela maré de acontecimentos, e não construíram um dique suficientemente forte para contê-la. A promessa de amor eterno assegurava, pensavam eles, que nunca deixariam de se amar, independentemente de todos os esquecimentos, todas as inconsciência e descuidos, intransigências ou distâncias que os pudessem apartar.

Enganaram-se. A promessa de amor eterno não chega. Não é uma varinha mágica que congela corações, e que os faz deixar de sentir qualquer tipo de raiva ou tristeza. E certamente não é antídoto para aquilo que se vai esquecendo de mudar, ou não se quer mudar com o pretexto do esquecimento.

É por isto que, quase uma hora depois, ambos adormeceram, ainda sem se encontrar.

segunda-feira, junho 07, 2010

...dó, ré, mi, fa, SOL...

clic: say cheese!



Saiu de casa apressada.
Não confirmou se tinha as chaves na carteira - gesto neurótico que lhe dá segurança nos passos do dia-a-dia.
A felicidade também não lhe passava pela segurança. Só quando implicava os momentos que incluíam "a sua cabeça no peito de um homem" - um qualquer que gostasse nessa noite.


*pic by Luis

quinta-feira, maio 27, 2010

domingo, abril 25, 2010

Um domingo à tarde...





Pergunto aos rios que levam
tanto sonho à flor das águas
e os rios não me sossegam
levam sonhos deixam mágoas.

(Trova do Vento que passa - Adriano Correia de Oliveira)


...dizem que hoje é 25 de Abril...

2.ª Marcha contra Biotério da Azambuja - Entrevista na TSF


“Dia 24 de Abril - Dia do Animal de Laboratório - a Plataforma de Objecção ao Biotério organizou, como no ano passado, uma marcha em Lisboa para chamar a atenção contra a utilização de animais em experiências científicas, em particular contra o biotério que a Fundação Champalimaud quer construir na Azambuja (um biotério é um viveiro de animais para serem usados em experiências). A Plataforma de Objecção ao Biotério entregou uma petição com mais de 7000 assinaturas na Assembleia da República, da qual resultou um relatório - de que falaremos no programa. O representante da Plataforma no programa é Constança Carvalho, licenciada em Psicologia, pós-graduada em Bioética e mestre em Evolução Humana. Para além de exercer actividade profissional enquanto psicóloga, esteve envolvida em vários projectos de investigação de comportamento animal."

Entrevista TSF