sexta-feira, agosto 28, 2009

Calendário Musical para o Fim-de-Semana

sexta-feira, dia 28:

DJ Set - Os jorge (Carlo Patrão, Isabel Lisboa & José Afonso Biscaia)

Bar Dunas, na praia da Tocha

Sábado, dia 29:

DJ Set - Isabel Lisboa & Luís Luzio

Kirsh Bar, em Coimbra


;)

quinta-feira, agosto 20, 2009

Uma t-shirt verde ao fim da manhã

O olhar era tímido e meigo e silencioso. Raramente falava e quando o fazia era a medo, como se fosse um estrangeiro num país duma língua que conhecia mal. Limitava-se a sorrir em tom de resposta a todos. Era um rapaz que ocupava pouco espaço no mundo.
Tinha, no entanto, o cabelo desalinhado. Eram uns caracóis rebeldes que lhe sentenciavam uma irreverência escondida. Sentava-se mais vezes do que estava de pé e fazia cócegas no seu cabelo quando se sentia observado. Depois sorria, outra vez.
Foi sentado e com as mãos suadas que ofereceu um poema como quem paga o café da mesa e vai embora sem que os acompanhantes percebam o acto gentil. O poema dizia: “entre mim e ti há um interludio de saudade”.
Eles mal se conheciam.

sábado, agosto 15, 2009

Verão, praia... a luz do sol

O mistério das cousas? Sei lá o que é mistério!
O único mistério é haver quem pense no mistério.
Quem está ao sol e fecha os olhos,
Começa a saber o que é o sol
E a pensar muitas cousas cheias de calor.
Mas abre os olhos e vê o sol,
E já não pode pensar em nada,
Porque a luz do sol vale mais que os pensamentos
De todos os filósofos e de todos os poetas.
A luz do sol não sabe o que faz
E por isso não erra e é comum e boa.

Fernando Pessoa

sexta-feira, agosto 14, 2009

segunda-feira, agosto 10, 2009

Conversa com uma Personagem a Preto e Branco

Nada disse na partida.
Ou fingi que disse mas nunca o fazendo.
Ou foi ao contrário…
Deixei de saber o sabido.

Confusão desarmada é o que sinto ao escrever,
Recheio de solidão infecunda,
Amores perdidos em apatia profunda.

Por favor não venhas entender-te em mim,
Não procures parágrafos em interrogações e reticências,
Em notas e tons ausentes,
Em falsas promessas que mais não passam de dormências.

Não acredito no prosaico dizer que é a maldade,
No entender sexual que apenas e só o é,
Mas deixei de acreditar na piedade da fé,
Em sentimento que existe inevitavelmente com bondade.

Insegurança ao chegar, insegurança ao partir,
Fuga em caminho oposto,
Cobardia em contramão,
Estupidez enferma do porvir.

Com fins últimos te assimilo,
Recordação fugaz de mais um apeadeiro,
Bagagem leve de levar,
Trecho ínfimo da história que trago para contar.

domingo, agosto 02, 2009

Cá vamos nós(again): Andanças 2009


De mochila às costas, lá vamos, mais uma vez, para o festival de música e dança a decorrer de dia 3 a 9 de Agosto, em S.Pedro do Sul - Andanças 2009. Espaço onde cruzam vários ritmos e gestos, onde se confiscam sentires e pensares de toda a índole, cada um pode ajustar o programa ao seus gostos e interesses pessoa
is. Este ano, a edição do festival é dedicada ao Silêncio...porque só com ele damos sentido aos sons que nos rodeiam e conseguimos ouvir aquilo que, por vezes, nos parece inaudível.


Para consultar a programação:







O_o

Porque nunca fui apresentada ao bicho-papão?....Até com ele esta maldita insónia seria mais fácil de suportar...E está a ser tão tremenda que daqui a nada faço isto:

"Coloque uma pitadinha de açúcar e três folhas de erva cidreira debaixo do seu travesseiro. Em seguida, faça um chá da mesma planta, bem adoçada, depois tome-o, contando os goles. Pare no nono gole, e deixe a xícara ao lado da cabeceira da cama."

Por favor, a malta que passar por aqui que não se coíba de dar mais sugestões de como por fim à insónia.

quinta-feira, julho 30, 2009

"It´s Time to Put God Away"




Sinfonia de uma noite inquieta

Dormia tudo como se o universo fosse um erro; e o vento, flutuando incerto, era uma bandeira sem forma desfraldada sobre um quartel sem ser.


Esfarrapava-se coisa nenhuma no ar alto e forte, e os caixilhos das janelas sacudiam os vidros para que a extremidade se ouvisse. No fundo de tudo, calada, a noite era o túmulo de Deus (a alma sofria com pena de Deus).


E, de repente - nova ordem das coisas universais agia sobre a cidade -, o vento assobiava no intervalo do vento, e havia uma noção dormida de muitas agitações na altura. Depois a noite fechava-se como um alçapão, e um grande sossego fazia vontade de ter estado a dormir.


Bernardo Soares, Livro do Desassossego

quarta-feira, julho 15, 2009

segunda-feira, julho 13, 2009

Pensamento do Dia

Só para dizer que:

A pirataria é a mais perfeita forma de marketing!


lol


Choose Love

sábado, julho 11, 2009

Espera

Primeiro nasce a letra depois o conceito,
Ou será esta a formula imperfeita,
Longa é a espera fulminante,
Antecipa e alonga o desejo que já lá vem
A jusante.

Caminhada áspera dos sentidos,
Sentimentos corrompidos,
Por seus esboços tingidos,
Em esforços assim tão repetidos.

Imperceptível é a demanda,
É a quimera alcançável,
Em pleno espírito indomável,
E sem querer lá vou deixando
Passar a banda.

Fruto colhido no Inverno,
Que lá vou roendo,
À espera da ideia e da letra,
Ou da meta a atingir,
Ou da sua definição num momento do porvir.

Espero-me na esquina da tabacaria,
Percorro o jornal, lendo as novas que o bom senso traria,
Mas só encontro anárquica correria,
Palavras soltas nesta monótona ventania.

Actos de desespero levo-os em vão,
Cansaço de ser em saber ser,
Figurino traçado em acto improvisado,
Assim como neste poema,
Que já se encontra inevitavelmente cansado,
Deste seu fado..

quarta-feira, julho 08, 2009

Praia

O búzio entristeceu-se ao ouvir chorar o mar,

A estrela adormeceu com o canto da sereia bela,

A maresia beijou a areia com semblante carregado,

A salsugem não teve pejo em despir-se em frente às marés,

A rocha deixou-se enlevar pela brisa dos ventos d´ este,

A gaivota apanhou o peixe-coração,

Enfiou-o no concha bem bonita,

E escondeu-o nas dunas ornamentadas de paixão…

Ficou à espera da maré vazia,

Para saber o que o Sr.Sentimento lhe fazia.

quarta-feira, julho 01, 2009

A morte melancólica do rapaz ostra e outras estórias - Tim Burton

A Rapariga com Muitos Olhos

Um dia no jardim
fiquei muito espantado:
encontrei uma miúda
com olhos por todo o lado.

Era de facto encantadora
(e também assustadora!);
e, porque tinha boca para falar,
pusemo-nos a conversar.

Falámos sobre flores
e das suas aulas de poesia,
e dos problemas que teria
se tivesse miopia.

É óptimo namorar
alguém que tanto nos olha,
mas se desata a chorar
apanhamos uma molha

segunda-feira, junho 15, 2009

Loucura

Loucura entediada nos seus caminhos desmedidos,
Pensei em derreter-me em ti,
Enquanto despontavas as garras,
Para apanhar um futuro que só parece ser possível contigo.

Bates em todas as portas,
E abres aquela que dá para a sala de amor-ódio,
Onde me encontras já em horário serôdio,
Descortinando o dia de amanhã e tentando fazer o bem por linhas tortas.

Complexa e simples,
Perigosa e sedutora,
Necessária e anexa,
E assim lá vou desenhando o teu perfil,
Com o meu bom senso ainda ardil.

Lá fora olhas-me com esse olhar traquina,
De doce menina,
Sem eira nem beira,
Sem amor nem estribeira.


Um dia também consigo escrever sobre coisas mais objectivas :P

God Help The Girl

God Help the Girl é o último projecto de Stuart Murdoch do colectivo Belle & Sebastion. Segundo Stuart, quando em tour com os Belle & Sebastian, compôs alguns temas que lhe pareceram os retalhos de personagens de um filme. Assim, Murdoch lança o desafio a si mesmo de produzir um musical cuja banda sonora serão as musicas deste seu novo projecto.
Foram castings para escolher vozes para as musicas e cá vai a pequena introdução ao mundo do God Help The Girl:



Um disco com letras fantásticas, criadas em volta de uma rapariga (ou três?)insegura mas com muita paixão (porque não?)

domingo, junho 14, 2009

Noites de Sol (ou stand by)



Uma menina, de laço azul no cabelo, tocava emoções violino.
Tocava, em noites escuras quando estava triste: sol, ré, mi, dó...
Tocava, em dias quentes quando sorria: dó, ré, sol, sol...
Um dia o velho violino dourado partiu uma corda.
A menina nunca mais chorou.
A menina nunca mais sorriu.
Noites de Sol, disse...

sábado, junho 06, 2009

Queria escrever uma letra,

Onde te desenhasse sem pressa,

Numa melodia bem doce,

Sem repiques de rapidez inglória,

Com a qual não pressinto os teus passos,

Não me antevejo no teu abraço.


Vamos fugir do paraíso,

O fruto proibido já cresce na minha mão,

Neste campo de olhares lascivos,

Com trilhos evasivos,permissivos, efusivos...ivos...ivos...ivos!!!


Não quero esse punhal com o qual me oferendas,

Quando me retratas nesse silêncio amarelado com cores de fim de tarde,

Cruzadas com os rubores voláteis de desejo,

Numa aguarela desmedida, perdida e ofendida.


Digo que não é possível.

Encerro os sorrisos e os pensamentos fugidios,

Numa bagagem,

Que vou enviar para um país bem longínquo.

Deixo que sejam conhecidos por todos e ninguém,

Pelo preto e pelo branco,

Pelo humano e desumano,

Pelo que foi e pelo que virá...

Pela equação: TUDO - TU.



Palavras escritas ao som de...