terça-feira, março 10, 2009

Hoje sinto saudade...

Esta frase que li em ti, fez-me sentir saudade de tanta coisa que só um aglutinado de palavras me surgem...associações de palavras bipolares e algo ridículas...

Hoje sinto saudade... dos teus olhos verdes, do mar, das mãos dadas...
Hoje sinto saudades das tuas conversas sobre nada e mais alguma coisa...
Hoje sinto saudades da roupa de verão, dos tops da cor do alface e das tranças muito pretas no cabelo...
Sinto saudades do teu sorriso e dos teus movimentos sensuais até para as flores..
Sa tua simpatia e do teu cabelo loiro pelos meus ombros.
Dos teus dentes do siso de leite.

Hoje tenho saudades vossas

segunda-feira, março 09, 2009

Pintura com Saudade

Hoje sinto saudade...disto:



Death and Life - Gustav Klimt



Fugue - Wassily Kandinsky



Seated Woman With a Child - Amadeo Modigliani



Soleil Levant - Claude Monet



Confections - Wayne Thiebaud

domingo, março 01, 2009

História de Embalar

Há uns dias, um pequenino grande homem desafiou a minha imaginação, e convenceu-me, à laia daquele sorriso traquina, a contar-lhe uma história de embalar. Resolvi escrevê-la depois, pois sei que daqui a muito tempo, tanto eu como ele, vamos lembrar este momento de cada vez que a relermos...

Era uma vez um carrossel feito de algodão doce (daquele que parece uma nuvem…). Os meninos vinham de todas as partes do mundo só para poder brincar neste carrossel, que girava, girava, girava e girava, e voltava a girar como se fosse um pião que alguém tivesse lançado antes, e que nunca mais havia podido parar. Os pais alternavam entre os sorrisos embevecidos pela imagem rodopiante das suas crianças, e o olhar cabisbaixo, causado pela vergonha de também eles quererem brincar com os filhos no carrossel. Eles não sabiam que ainda eram crianças, e que na verdade seria impossível, algum dia, deixarem de o ser. Por isso mesmo, lá se entretinham com as guloseimas que os filhos haviam deixado para trás, não à força dos múltiplos avisos de que o açúcar faz mal aos dentes, mas sim porque o carrossel não deixava que os petizes se interessassem por nada mais…
Este carrossel emanava um aroma muito forte a morangos colhidos na Primavera. Era tão forte, mas tão forte, que um dia chegou ao céu. E foi nesse dia que os anjos sentiram pela primeira vez o cheiro a morangos, e ficaram tão deliciados que rapidamente organizaram uma excursão ao local de onde o mesmo provinha.
Quando tentaram entrar, o dono do carrossel não deixou. Disse que tinham de pagar, como todos os meninos. Ora na terra dos anjos não há dinheiro, porque quando eles querem agradar a alguém tocam música com as suas harpas, daí que não precisassem de notas ou moedas, aliás nem sabiam sequer o que eram. Foi assim que formaram uma orquestra de harpas e tocaram uma melodia bem alegre para conseguirem entrar. Como não gostava de música, o dono não se convenceu e impediu, mais uma vez, que os anjos brincassem no carrossel. Mas os querubins, que tinham vindo de tão longe, tocaram a melodia ainda com mais força, até que os meninos que estavam no carrossel os conseguiram ouvir. Por momentos, como que enfeitiçados, os meninos correram na direcção do som das harpas, e depararam-se com os anjos. Quem estava lá diz que não percebeu bem o que se passou depois, e que só se lembra, que todos juntos, os anjos e os meninos, viajaram em claves de sol até ao carrossel. Mais tarde só se pode ouvir uma ária de risos, terrenos e celestiais, que só parou ao anoitecer, quando todos foram sonhar…

quarta-feira, fevereiro 25, 2009

E o Óscar vai para...

O Leitor...

Bem sei que a história do jovem indiano que sonha ser milionário e conquistar a sua amada arrecadou o título de melhor filme, na passada noite de domingo...De facto, o filme é bastante bom, no qual se perspectiva de forma crua a realidade das favelas indianas, mas que, simultâneamente, transmite a mensagem implícita e explicita de que é possível mudar, bastando acreditar, tal como fez Jamal Malik.Contudo não posso deixar de salientar o filme "O Leitor", que valeu a Kate Winslet o prémio de melhor actriz principal. Simplesmente sublime...Todos os detalhes ou críticas ficarão aquém do que quero exprimir, por isso aqui vos deixo o trailer, para convencer os mais cépticos a verem o filme...

domingo, fevereiro 22, 2009

Noites...

Numa noite em que tentei dormir cedo, eis senão quando um pesadelo me faz acordar...Escrito,será qualquer coisa deste género:


Foi durante o meu velório,
que assisti à tua morte.
Carpir peremptório,
simulacro de má sorte.

Cai o teu véu sobre a minha tumba,
E já perto dos sete palmos de terra ainda te sinto na penumbra
Estou de partida.
Não chores mais por mim,
continuarei a esquecer-me de ti
até que a memória desapareça enfim.



E agora a insónia....

sábado, fevereiro 14, 2009

Dia dos namorados

Estava eu a navegar pela net, quando me deparei com este link...

É um site com TUDO que quiserem saber acerca deste "mítico" dia!

Incrível!

sábado, janeiro 03, 2009

Sem título

Negrumes de um orfeu perdido em imaginários de velho do Restelo, prenúncio de más sortes...Foram-se as glórias, os tempos ultrajados pela felicidade de respirar o orvalho da manhã, na procura de uma força energizante, através da qual poderia atingir, enfim outras quimeras...Só restam as folhas secas que recobrem os trilhos pisados outrora pela vontade de te ter bem perto de mim, à distância de um suspiro, entrecortado por esquissos de prazer.
Caminhos percorridos chego a casa e abro a porta, que range as dobradiças como quem semicerra os dentes enraivecidos por me verem. As teias de aranha decoram as paredes, e a cadeira de baloiço despenha-se contra o tapete persa, já desfeito pelas solas que ali se demoraram anos antes..Sento-me, na esperança de me recordar de já o ter feito alguma vez...Quedo-me alguns segundos, tempo inusitado que me leva a que, de uma rasgo só, ponha cobro aos sonhos que preenchiam o meu espaço onírico.. Sonhos que não queria ter, já que sempre que tentava que o deixassem de ser, consumando-os nos confins da realidade, eles simplesmente voavam para um qualquer baldio de emoções, num carroussel de vivências circulares, antecedidas pelas maralhas do espaço e do tempo...

sábado, dezembro 27, 2008

Ano Novo Estereofónico

E agora que já passou a época dos presentinhos e das azevias, toca a pensar na passagem para o novo ano de 2009. Fica a proposta de uma passagem de ano em grande, em Coimbra, com dj's estereo total e apoio RUC..




Entradas:
à porta: 8.oo€
pré-reserva: 6.oo€
* para: mailestereototal@gmail.com




quarta-feira, dezembro 24, 2008

Oh Oh Oh

Desde os meus tempos de meninice faço sempre uma pequena lista de presentes que gostava de receber no sapatinho. Torno pública a deste ano (pode ser que o Pai Natal se compadeça)...

1)
Adicionar imagem
Finalmente o senhor atenuou a porcaria que fez ao sair da Casa Branca...Sem dúvida um acessório a não dispensar.

2)


Por falar em WC, porque nao pedir ao Pai Natal este lip gloss em formato sanitário..aposto que o chineses nao têm destes

3)
Não sei qual a razão mas os presentes vão todos parar à retrete...Para os amantes de golf um pequeno campo de golf, para as longas estadias no WC..

4)

Que o Pai Natal não se esqueça desta toalha que dá para os dois lados...


5)












Que tal uma iluminura da Virgem Maria na nossa torrada matinal..Talvez nos salve do pecado da gula

6)

Este pinguim de ovos doces...














7)



Porque não esta cabeça de alce insuflável...Um cenário rústico fica sempre bem nesta época...

8)

Claramente baseado no amigo do Homer Simpson...

9)

Um paliteiro que exorciza os nossos males...

10)






















Este é sem dúvida o meu preferido..Um manual que ensina a beijar, com indicações precisas acerca das várias fases labiais que se dão durante o beijo...Enfim nada como experimentar..


E é com estes devaneios natalícios que vos desejo um FELIZ NATAL!

domingo, dezembro 14, 2008

Vegetação

O relógio marcava as horas que o deixaram de ser, num tempo indefinido, fantasma de outras eras, concretizadas em calendários, preenchidos de dias em que nada se fez..Queria levantar-me, lutar contra a dormência opiácea que não desmentia o aborrecimento, a angústia, o tédio que se abatia sobre o meu corpo..entre a pele que me vestia daquilo que não queria ser.
Continuava estirada na cama, numa massa amorfa de xailes, cobertores, e outros lanifícios afins, que mais pareciam aprisionar-me, interditando assim o suposto aconchego da chuva que se esbatia contra o vidro opaco da única janela do quarto. As pálpebras pareciam trazer em si o peso de mil anos, quando semicerravam o sonho, e o transformavam em pesadelo. O telemóvel tocava, enquanto me rebolava, mais uma vez, no leito onde vivo as núpcias do resto dos meus dias. Não queria atender. Não queria falar. Dizer palavras ocas de significado, que num acto pleno de egoísmo quero abarcar só para mim.
Tentava enfim sair da cama. Avidamente procurava o comando da tv. Queria estupidificar-me, combater o desassossego promovido pelas interrogações que se vão acumulando no baú, de cada vez que exploro um pouco mais daquilo que me rodeia. Percorri todos os canais. Já eram 14h e continuava acorrentada ao ócio que me corrompe até ao tutano das vísceras, que já não aguentam mais viver neste corpo mundano, profano, insano…Deixemo-nos de prosas poéticas, quando hoje só existem factos. E o facto é que ainda estou na cama (como se houvesse viva alma que queira realmente tomar conhecimento desta ocorrência). Não saio. Não ando. Simplesmente, hoje, não quero saber.

quinta-feira, novembro 27, 2008

Esquecer II...

A mesa de cabeceira continuava mesmo ao lado da cama, com a garrafa de água em cima dela, só. Inerte. Vazia.
Deitada, os meus olhos desejavam chorar mas secos estavam como a garrafa de água ao meu lado: sós. Inertes. Vazios e...Secos.
Decidi, dada a garrafa sem água, não pensar em ti.
Decidi defender-me de ti e desse teu puzzle incompleto, como um soldado na frente de batalha desarmado e ferido.
Ás vezes penso mesmo que estou sentada num banco de madeira sem uma perna e que me equilibro nele para não cair, da mesma forma que equilibro as tuas peças do puzzle para não pensar em ti.
Outras vezes, encosto o banco de madeira velha sem perna à parede e deixo-me estar muito quieta, deixo-me estar simples e...sem metamorfose.
Nesses dias, dias de parede branca,... escrevo e: solto as peças de ti no chão como uma criança que as deixa cair só porque está distraída.

domingo, novembro 02, 2008

O Eterno Retorno

Tentei içar vales e montanhas..Anoitecer a mágoa com mantos reluzentes de pérolas famintas de sangue..Enterneci o tempo, e pedi-lhe que não transbordasse mais através dos meus poros..
Acordei. Ouvi o som estridente da campanhia..Os meus passos anteviam o rosto com que o tempo me brindaria, quando trespassasse a soleira da porta..Esbocei um sorriso..Tinha voltado..O gesto firmado naquele olhar, antevia que nada tinha mudado em si…”Ele voltou”, não me cansava eu de repetir mentalmente…Sentou-se junto de mim, e contou-me as façanhas dos longos anos em que, por vicissitudes da vida, se havia ausentado, sem deixar rasto, um trilho qualquer de pistas que vislumbrassem a sua existência.
Com pesar, falou-me de desgostos de amor, de glórias lupanares, que fatalmente se deixaram arrastar pelo efémero. Conheceu gente, passou pelos quatros cantos do mundo, construiu o seu próprio império de sonhos como se se tratasse de um castelo de cartas…Belo, mas frágil. Caminhou pelo deserto, escalou montanhas e percorreu as tundras enregeladas pelo prazer. Foi pirata, saqueador dos sonhos com que construía o seu mundo fantástico..E não, não se importava se os sonhos eram pertences íntimos de outrem, não lhe interessava que podia quebrar existências, quando roubava, com desdém, as quimeras daqueles que para elas viviam.
Continuei sentada junto ao parapeito da janela, de onde podia ver o jardim recoberto de túlipas, cujas cores contrastavam com qualquer espécie de sentir, que se me atravessava no momento. Ele continuou com a sua verborreia, como se quisesse depositar em mim todos os sonhos que já tinham deixado de o ser.Levantei-me, e olhei de soslaio para massa disforme de devaneios que ele tinha para me oferecer..Foi a minha vez de sair.

segunda-feira, outubro 06, 2008

Amnesia

Esqueçamos todas as cores do passado, todas as renúncias ao prazer amarguradas pelo tempo..Esqueçamos as sementes com que dardejamos o amanhã, na esperança de colher os sonhos que tardam em chegar..Esqueçamos quem fomos e quem seremos..Ah, que mágoa tenho em esquecer...o esquecimento...

sábado, setembro 13, 2008

quinta-feira, setembro 04, 2008

Partida

Escrevo em anexo o que poderia ter escrito numa página principal...Num acesso fulminante de coragem ela perguntou:

-Então sempre vens comigo?

-Acho que não. Esse sítio fica longe demais-respondeu ele.

Sim, esse sítio ficava longe demais, longe de qualquer contacto previamente estabelecido...Não havia nada de familiar no lugarejo para onde iria. As paredes encontravam-se pintadas de um branco gélido, as cortinas, já gastas pelo tempo, escondiam as paisagens que ninguém quer ver...e os olhares eram vazios..vazios de alma e de fé.
Mas sim, era nesse lugar inóspito em que pensava ficar contigo. Adormecer-te nos meus braços, afundar-me em prosas sonhadoras do que há-de vir..Haveríamos de plantar um jardim, com túlipas de todas as cores, daquelas que cheiram a jasmim, e que só nós conhecemos. Finalmente abriríamos a janela e veríamos uma embarcação, em mar alto, daquelas que leva a desilusão para bem longe.
Com armadilhas, caçaríamos os predadores, aqueles que ferozmente nos vão rasgando por dentro..Faríamos um banquete com os seus restos nauseabundos de outros mundos infecundos.
Ao final da tarde sentar-me-ia contigo naquela rocha que vela o som do mar e, com contentamento, numa simbiose dançante, tua palavra ouviria. Caída a lua sobre nós, numa massa de sonhos me moldaria a ti, e num figurino improvisado talvez te visse a meu lado…

De malas feitas, parti, e num eco agonizante ouvi, por fim:

- “Já te disse: fico sem ti.”

sábado, agosto 30, 2008

Norte

Quando se procura o Norte, e ele vai fugindo no horizonte, resta..o cansaço..

O Que Há

O que há em mim é sobretudo cansaço —

Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.

A sutileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto em alguém,
Essas coisas todas —
Essas e o que falta nelas eternamente —;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.

Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada —
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...

E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,cansaço,

E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço,Íssimno, íssimo, íssimo,
Cansaço...

Álvaro de Campos

sexta-feira, agosto 15, 2008

O Peso do Miosóti

Nos intersticios corroídos por si próprios, que ficaram espalhados no jardim, esfrego a minha alma perdida em restos de si mesma..Quando te pedir que venhas comigo, não te escondas, vamos explorar aquilo que ficou escondido atrás das árvores, vamos arrancar as raízes que ainda nos prendem ao amanhã que nunca vem..Peço-te que me ofereças uma flor, o miosóti purpura, com que cobres o teu rosto ao amanhecer..Preciso ver o teu olhar embevecido quando deslumbras o céu..Vem comigo, desbravar as noites marejadas de luar, salpicar o sentimento com o brilho das estrelas cadentes..Deixa-me arrebatar-te com um beijo, já cansado de esperar, numa fila de vontades, que se conglomeram em bolas de fogo que a tua ausência vai dardejando aqui mesmo, no epicentro deslocado do local do sismo…O cansaço desvanece-se entre todos os momentos em que ainda penso ser possível conhecer-te…desnudo daquilo que não és, num processo de subtracção contínua em que extraio a tua essência…qual será o seu aroma? Tem o perfume de terra molhada, ou será que ainda cheira a maresia, naqueles dias em que os tons dourados do pôr do sol se esquadrinham nas ondas?Se a tactear como é?Será sedosa, ou pelo contrário espinha-nos a cada toque?Não sei…só conheço os ecos do que acho que sei, e que, ilusoriamente, sustêm o peso das interrogações, que ,penso, se finam lentamente em si mesmas…

terça-feira, agosto 05, 2008

Sem espartilhos...

Sinto-te nas minhas veias,
injecto-me contigo até à exaustão.
Nas ruas lunáticas que percorro,
já te vislumbro entre os meandros de solidão...

Exaltas-me, fazes-me arder com paixão,
desolas-me de antemão,
enfraqueces-me e enalteces-me,
com essas tuas ideias excêntricas e bizarras.

És tu quem me despe nas noites de escuridão,
desta minha armadura de frieza,
que me protege e embalsama..

Beijas-me com as tuas palavras,
com o verso que não rima,
com o suspiro silenciado pelas tuas estrofes.

Eclipsas os ponteiros do relógio,
libertas-me e prendes-me secretamente,
ao manto de loucura ensolarada..

O incesto cometo ao escrever-te,
pois com paixão carnal te sinto,
mas simultaneamente te concebo,
e de mim nasces tu, ó meu rebento..

A tua realidade enlaça-me,
encaixa-me e trespassa-me.
E se um dia o triste fado me levasse,
talvez fosses tu poesia, o meu destino acarinhado..